Será que as pessoas mudam?

 

Eu fico me perguntando se as pessoas mudam de verdade, seja pelo fato de se disporem a isso ou pela força das circunstâncias, que seja.

Nós fazemos a nossa vida, não é? E nossa vida não é feita pelas nossas atitudes que, por sua vez, são movidas pelas nossas escolhas? E se fazemos coisas, movidos por escolhas, somos aquilo que fazemos e escolhemos. E, uma vez escolhas feitas e atitudes tomadas, como é possível mudarmos o que já foi feito se isso já faz parte da nossa história, do nosso passado e da nossa vida?

É possível passar uma borracha em coisas que fizemos, sejam elas dignas de arrependimento ou não? É possível esquecer decisões tomadas e realizadas? Não acho que seja…

Se um dia falamos prá nós mesmos: “Vou mudar. A partir de hoje, não faço mais tal coisa, não digo mais tal coisa, não sinto mais tal coisa.” de fato você muda ou finge que mudou?

Temos um interruptor dentro de nós prá colocar prá baixo ou prá cima, indicando o jeito que somos? E, mesmo supostamente mudados, lá dentro do nosso coração, na nossa mente, a mudança realmente ocorreu ou o nosso modo original de encarar as coisas continua latente?

Perguntas… perguntas…

Fim de noite

 

Eu tive um poderoso impulso homicida no final da noite de hoje.

Eu queria matar o dono da Coca Cola, o diretor do Zorra Total, o dono da rede Subway, o playboyzinho metido que passeava no seu skate elétrico na Avenida Goiás, o dono do Mercedes que passou do lado do meu carro velho e todo mundo que é podre de rico e que é rico desse jeito às custas de gente como eu, que só se fode de tanto trabalhar e vive correndo atrás do prejuízo.

E enquanto eu tomava o suco fabricado pela Coca Cola, sendo obrigada a assistir Zorra Total, dentro de uma loja Subway, eu pensava que as formigas são muitas, mas não fazem diferença no mundo; que elas estão lá, trabalhando, trabalhando, trabalhando, alimentando o sistema, sendo pisoteadas pelos tubarões e que eu nunca vou ser um tubarão. Eu e tantos outros que já acreditamos na possibilidade de sermos tubarões, mas que hoje vemos o quanto é uma possibilidade remota e que não passamos de massa.

E pensava também que porra é essa que milhões de pessoas assistem, que as bestifica e as coloca cabrestos e elas aplaudem, riem e param de pensar por si mesmas cada vez mais… enquanto um grupo de atores que pensa, que cria, que quer transmitir algo que presta, dar uma nova perspectiva ou resgatar as que foram afogadas, apresenta seu trabalho prá 10 pessoas e nada pode fazer além disso, porque não detém nenhum poder midiático.

Me é uma honra fazer esse trabalho, mas me é nojento encarar tudo isso quando saio do espaço mágico que é o palco. Me é dolorido lembrar e continuar tentando resolver os meus problemas pessoais com todo esse turbilhão dentro da cabeça.

Mulheres são demais

 

Atenção: não recomendado para menores. Se você é menor de idade, pare de ler agora. Não parou ainda? Pare já! Bom, eu avisei…

A natureza é muito sábia. Antes mesmo de sermos o que somos, lá na barriga das nossas mães, algumas coisas já são definidas: o espermatozoide que carrega o cromossomo feminino é maior, mais resistente e mais forte do que o que carrega o cromossomo masculino, que pode até ser mais rápido, mas é franzino e não aguenta um peido. A nossa força vem de longe.

A natureza é sábia de novo por não permitir que os homens sejam biologicamente capazes de gerar filhos. Alguma mulher, de preferência as que já são mães, consegue imaginar um homem gestando e parindo um bebê?!?! Claro que não!!! Além da incapacidade biológica, eles não teriam estofo psicológico e emocional prá isso. Seria uma grande piada, na verdade. Menos para o bebê.

Calma meninos… foi dia da mulher. Eu tenho obrigação de fazer um texto metendo o pau em vocês (sem trocadilho).

E isso é só uma parte das coisas em que nós mulheres damos um banho.

Só nós somos capazes de trabalhar o dia inteiro, seja em casa ou fora dela  - ou nos dois, o que é muito comum –  e continuar linda, arrumada, atraente, com um sorriso no rosto (mesmo que seja meio falso, mas é uma questão de honra) e cheirosa (tudo bem, nem tanto, mas dificilmente você vai sentir uma catinga cecelenta de uma mulher estando a cinco metros de distância dela).

Só nós somos capazes de suportar rotinas com múltiplos turnos que giram em torno de coisas como cuidar de casa, trabalhar, estudar, cuidar dos filhos, fazer academia, etc, etc… isso tudo sem descer do salto. Porque quando a gente desce… aí aguenta, porque provavelmente é TPM, pois fora disso o auto-controle é uma de nossas principais qualidades.

Dizem que as mulheres têm inveja do pênis. Hã??? Porque teríamos?!?! Algo que é tão facilmente simulável… hum… abafa… O que acontece, de fato, é que os homens é que têm inveja. Do orgasmo feminino, claro! E como não teriam? Afinal, o feminino pode durar quase dois minutos e o masculino… bom… o masculino é aquilo, né?

Desculpem meninos, por enfiar o dedo na ferida de vocês (sem trocadilhos de novo) mas eu prometo que quando chegar o dia do homem eu faço um texto bem bacana prá vocês.

Atenção: prá quem procura informações científicas, recomendo outra leitura que não um blog com humor irônico e ácido. Obrigada.

Trânsito, o filho da puta

 

É… de novo… outro texto sobre o trânsito. Só que hoje eu to revoltada.

Eu odeio ficar parada no trânsito e eu odeio motorista lerdo. Porque se eu não estou parada no trânsito, eu fico atrás de algum lerdo!!! E as pessoas não entendem, e nem têm obrigação de entender, que eu tenho pressa nessa vida!

Então eu corro mesmo. Se tiver que costurar, eu costuro mesmo. Se tiver que fechar, eu fecho mesmo. Porque não é possível manter a calma numa via onde a velocidade é de 60 km/h e um ser acéfalo anda na pista da esquerda a 40 km/h!!! E eu atrasada prá dar aula. Faça-me um favor, ou melhor, faça um favor prá todos: Ande na pista certa!

E o colapso no centro da cidade às 7:00 da matina??? Tem estômago que aguente? Logo cedo, esse stress todo? Não dá…

Outro motivo da minha pressa constante: eu tenho UM MONTE DE CHEFES. Se contar a minha própria cobrança pessoal, são DOIS MONTES. As donas das empresas, as coordenadoras e as donas das escolas (que não são propriamente minhas chefes, mas se eu chegar atrasada, elas vão buzinar na orelha da dona da empresa, que vai buzinar na minha orelha, o que acaba dando na mesma).

É coisa demais prá pouco tempo disponível. É porque eu mereço, oras!

Trânsito, o incompreendido

 

O fenômeno sobrenatural, antes denominado “trânsito” e doravante denominado “dor de barriga”, é algo muitas vezes mal interpretado.

Vejam bem, se eu saio da minha casa às 6:45, eu encaro uma indisposição gástrica leve, que se torna progressivamente mais corrosiva conforme eu atraso essa saída; e se transforma de fato em dor de barriga se eu deixo prá sair às 7:00.

Mas, se eu cometo a imprudência de sair de casa às 7:05 a dor de barriga já vira uma diarreia, com mudanças para “problema com feijoada estragada” às 7:10 e “problemasso com maionese azeda” às 7:15. E o caminho que ficava entre 20 e 30 minutos, arrasta-se por 45 ou mais dependendo do número de bactérias e se há ou não outros impedimentos orgânicos, como cáries ou furúnculos.

Agora, meus queridos amigos, se por acaso acaba a força E a bateria do celular e todos os alarmes não tocam… é… aconteceu isso certa manhã… Aí eu encarei uma infecção por salmonela. Bem nervosa…

E, nesse caso, o pior sempre acontece: atraso. Porque é impossível chegar às 8:00 na escola, com o centro da cidade colapsado do jeito que fica a partir das 7:20 da manhã.

O jeito é mesmo sair bem cedo prá evitar contaminações desnecessárias.

Nada de nada

 

Eu detesto, com todas as minhas forças, quando eu não consigo escrever!!!

Como assim??? Tanta coisa prá dizer, tanta coisa acontecendo e eu nada! Será que estou emburrecendo?

Preciso de algo prá me gravar… será que rola? Daí eu penso, gravo e depois transcrevo.

Quem sabe… ai… e desculpe prá quem veio aqui me ler e teve que ler só isso.

Nhé… que decepção… 

Nesse caso…

 

Existem testemunhas. Existe uma confissão. Existe reincidência. Existem imagens!!!

Nesse caso, porque não partir logo pros finalmentes? Eu duvido que um cemitério custe mais aos cofres públicos do que uma prisão. Prá que manter enjaulada, uma criatura vil e ignorante que deu dois tiros na cabeça de alguém, matando-o, e nas costas de outro alguém, deixando-o “preso” a uma cadeira de rodas?

O que um sistema penal burro me diz sobre o preço de custear a estadia de um assassino contra o dinheiro que se poderia aplicar, por exemplo, na recuperação médica de sua vítima, incluindo aí o tratamento psico-social de quem perdeu um ente querido? Isso sem falar no custo da pessoa que perdeu sua mobilidade, seu trabalho e, consequentemente, sua capacidade de contribuir para a sociedade.

Ah, mas que pessoa horrível que eu sou que só fala em custos, custos, custos!

E os outros custos? Falo deles também. Quem vai repor o pai que morreu? Ninguém. Isso não se repõe. Quem vai repor o marido? Ninguém. O filho? Ninguém. Quem vai devolver a mobilidade de quem ficou paraplégico? A medicina? Talvez… E quem vai devolver noites de sono e pensamentos livres de terror? Ninguém vai.

Num caso como esse, sabe, eu perco grande parte das minhas dúvidas com relação a pena de morte. 

 ”Ah, mas bandido também tem família!” Meus pêsames prá família que criou um assassino. Meus pêsames também pros defensores dos direitos humanos. Defendam os direitos dos humanos que prestam e não da escória.

E os religiosos de plantão que não encham o meu saco também! “Não podemos julgar… deixe que Deus os julgue quando chegar a hora…” Que bonito! E, enquanto a hora não chega, a sociedade que aguente tipos como esse, a sociedade que fique com medo de sair na rua e não voltar prá casa porque um demente desse pode atirar na sua cabeça assim do nada, tudo na santa paz de Deus. Oh, que Deus misericordioso temos nós!

Na minha cabeça, um ser como esse, não merece nada além de uma injeção letal. Quem sabe a cara dele ficaria bem mais bonita e sorridente na tela da tv quando ele soubesse disso.

Eu devia ter ouvido o pediatra

 

Uma das primeiras coisas que ele nos disse quando levamos nosso primeiro bebê, foi: “Bebês são como cachorrinhos. Você ensina, dá amor, carinho, comida, disciplina e eles aprendem.”

Eu ensinei, dei amor, carinho e comida. Tudo isso, com certeza. Devo ter errado na disciplina, só pode ser.

Ah! Já sei! Eu nunca tive um cachorrinho. Não sei como se faz. Pronto. Tá tudo explicado… Será que eu devia ter usado jornal no lugar das fraldas? Ração ao invés de leite? Coceirinha na barriga, ao invés de brincar de casinha, carrinho… Esguicho de água no focinho, ops, no nariz, ao invés de conversa??? Enfim…

O pediatra também nos contou uma história:

“Era uma vez um cara que disse ao filho:

- Filho, eu sou seu amigo.

Aí o filho, certa vez, no meio de uma discussão, disse ao pai:

- Ah pai! Vai se fuder!

- Ei moleque!!! Isso é jeito de falar com o seu pai???

- Ué, pai… você disse que é meu amigo. Eu falo assim com os meus amigos!”

Moral da história: você tem que ser mãe e pai dos seus filhos. Não amigo.

Eu devia ter ouvido o pediatra.

Aí, a tonta resolve ser legal, “moderna”, “antenada”, amiga dos filhos, da filha… e finalmente entende que não é possível. De uma forma não muito agradável. Como quase sempre acontece, a gente não aprende antes de levar uma cacetada da vida.

Na intensão de me aproximar e facilitar certas coisas, eu me equivoquei e ultrapassei um limite que não devia ser ultrapassado… e a culpa é toda minha. Eu é que sou a adulta da história.

Eu abdico do meu papel de amiga pelo papel de mãe. Só mãe. Agora, o desafio é ser uma mãe não insuportável, na medida do possível, prá tentar enfiar na cabeça de quem precisa que os limites são outros.

É… eu devia mesmo ter ouvido…

Arquivos

 

Sensações represadas. Guardadas para serem usadas mais tarde. Arquivadas devidamente em compartimentos próprios. Salvas.

Imagens estudadas, livros, discussões, personagens, filmes, opiniões… tudo. Em arquivo.

E no meio do respiro… mais um descaso. Somado a tantos outros já conhecidos. Mais uma gota d´água. Mais uma pasta prá estudar e conhecer. Mais uma pasta prá arquivar.

Quem foram os responsáveis por fazer uma obra desse porte sem ter a certeza absoluta de que estava tudo bem, de que estava tudo dentro das normas? De que não haveria perigo prás pessoas? Pessoas! Personagens mais reais.

Qual o problema, afinal? O que se esconde por trás da queda desses prédios? Quais as pastas de mais esse arquivo? O que está no meio dos escombros, além dos corpos?

E, enquanto famílias são despedaçadas com a queda desses prédios, famílias são despedaçadas deliberadamente no interior do estado. Em nome de que mesmo? Ah…

E imagens novas são guardadas. Pessoas empoeiradas, como vão ficar todas as famílias: debaixo de poeira. Poeira feita de concreto, documentos, corrupção, dinheiro sujo, desmandos e lágrimas.

Mas não há problemas. Afinal o Carnaval se aproxima… Empoeirado como um arquivo. Morto como as pessoas.

Como é difícil educar!

 

A minha maior dificuldade no papel de mãe é aprender a lidar com a falta de respeito dos meus filhos.

É nesses momentos, em que eles não se respeitam, não respeitam a mim e a quem quer que seja que eu me pergunto onde eu tenho errado na educação deles. E passo pelo maior dilema de todos os pais do mundo: descobrir o erro. Pois quando fazemos as coisas com e para os nossos filhos, fazemos sempre o que achamos melhor e o que achamos certo. Então, como detectar erro onde enxergamos nossas melhores formas de agir? Como descobrir falhas em lugares onde agimos com a melhor das intenções, pensando no melhor prá eles e acreditando na nossa capacidade de educadores?

Pior ainda é quando tentamos várias táticas educacionais, até mesmo aquelas em que temos dúvidas, depois de tentar todas as outras em que acreditamos com mais veemência, como, por exemplo, o tão famigerado tapa na bunda. E o tapa na bunda, que é factualmente uma tática contraproducente, acaba acontecendo sem que você pense muito a respeito. Mas você pensa: eu e todos os meus amigos com mais de trinta anos crescemos tomando tapas na bunda e não somos todos revoltados, desmiolados e, mais, não odiamos nossos pais por isso. Pelo contrário, até os agradecemos pela educação que nos deram e os entendemos muito mais depois de termos nossos próprios filhos.

E agora, fico eu aqui me perguntando que raios eu faço para que meus filhos parem de se agredir mutuamente, parem de responder prá mim e me desobedecer nas coisas mais ridículas. Como eu faço prá eles entenderem de uma vez por todas que estamos do mesmo lado e que não somos inimigos, sobretudo os dois pirralhos do sexo masculino que se estapeiam e se xingam o dia inteiro.

E o que fazer com o projeto de moça que sobe o topete na frente das pessoas e fala comigo como se eu tivesse a idade dela? Querendo ser uma mãe legal, estaria eu equivocada em ser amiga demais e mãe de menos? Ou os limites entre essas duas coisas é que não estão muito claros na cabeça dela?

Porque nós, pais e mães, temos que ser sempre radicais em relação a tudo? Quando somos muito amigos, eles não entendem; temos que ser chatos prá que eles coloquem as coisas em prática. Não adianta pedir com educação, assim como queremos que eles ajam conosco. Não. Tem que dar logo uns gritos e uns bons esporros prá que eles funcionem. Aí, eles obedecem que é uma maravilha! Só na base da bronca, pois numa boa não rola.

Seria muito mais fácil largar mão e deixar do jeito que vier. Simplesmente não se preocupar. E é aí que mora o grande perigo, que sai do âmbito familiar e vai pro âmbito social. Se eu e todos os pais fizermos isso, estaremos criando crianças sem limites, irresponsáveis e egocêntricas, que serão os futuros bandidos e políticos corruptos nesse nosso país já tão problemático.

Por isso que eu penso e ainda pensarei muito nas melhores formas de educar meus filhos e vou continuar tentando e fazendo o meu melhor até que dê certo. E se não der, tenho certeza que terei, pelo menos, plantado as melhores sementes que pude. Nem que seja cavocando muito essas cabeças duras que eles têm.

Como é difícil educar.

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